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Projeto Multicêntrico da Doença de Peyronie é concluído PDF Imprimir E-mail
Saúde & Lazer   
06-Out-2009

Após três anos, estudo inédito desenvolvido no Hospital dos Servidores do Estado e em mais sete centros comprova eficácia de matriz biológica feita a partir de tecido suíno para o tratamento da curvatura peniana acentuada. Um novo material foi testado, e aprovado, para a cirurgia corretiva da curvatura peniana provocada pela Doença de Peyronie, que atinge 8% da população masculina mundial com mais de 50 anos.

Por meio do Projeto Multicêntrico da Doença de Peyronie, 36 pacientes foram submetidos à operação que consiste na incisão da placa fibrosa no pênis e a correção feita com a matriz gerada a partir da submucosa do intestino delgado de suíno (SIS). “Os resultados foram positivos em 90% do total”, afirmou o urologista Sidney Glina, coordenador da iniciativa.

O projeto foi desenvolvido em oito centros de pesquisa e hospitais brasileiros, localizados em Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Niterói (RJ), Porto Alegre (RS), Ribeirão Preto (SP), Rio Claro (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). “O mesmo protocolo de atendimento foi aplicado em homens com mais de 12 meses de história da doença e, no mínimo, seis meses de enfermidade estável, ou seja, que não apresentavam dor à ereção e sem alteração na curvatura peniana (igual ou superior a 60 graus) ou no tamanho da placa”, explica o coordenador. Os pacientes ainda não haviam sido submetidos a tratamento clínico nos últimos três meses nem a procedimentos corretivos.

Ineditismo
Com o desenvolvimento do Projeto Multicêntrico da Doença de Peyronie, foi possível conhecer detalhadamente o processo de reconstrução do tecido peniano a partir da matriz biológica, que já era aprovada para outras áreas da medicina. Segundo Glina, os procedimentos mais tradicionais utilizam tecidos do próprio paciente para fazer o enxerto, como por exemplo, a veia safena. “A técnica é a mesma, mas a cirurgia com material genético suíno permite uma operação mais simples, com apenas um procedimento, e em menor escala de tempo”, explica. A recuperação também é rápida. “Em cinco dias, o paciente pode voltar a trabalhar. E, em quatro ou cinco semanas, ele pode retomar sua vida sexual”, completa.

Com o tecido biocompatível, é realizado o enxerto após as incisões da placa. “O enxerto deve ter um tamanho 30% maior que o local a ser preenchido e com isto não houve perda no comprimento do pênis”, outra vantagem apontada pelo médico. Sem registros de reação de rejeição imunológica local, a SIS já foi utilizada, anteriormente, em pacientes que passaram por procedimentos como reconstrução de assoalho pélvico, enxertos vasculares e cutâneos. Embalada e esterilizada de maneira desidratada, seu processo de fabricação não permite que qualquer tipo de vírus permaneça ativo.

O projeto
A pedra fundamental para a realização do Projeto Multicêntrico da Doença de Peyronie foi lançada em fevereiro de 2006, quando os coordenadores de cada centro se reuniram pela primeira vez. No mesmo ano, o projeto foi encaminhado para os Comitês de Ética e Pesquisa das universidades e centros de pesquisa.

Em 2007, mais dois encontros, um em março e outro em outubro, foram organizados para discutir os detalhes da execução da empreitada. Os objetivos foram estabelecer o protocolo final e as fichas dos pacientes, como o questionário de qualidade de vida e o consentimento livre esclarecido. Na terceira reunião, os médicos brasileiros também tiveram a oportunidade de conversar com o especialista norte-americano Dean Knoll, referência mundial em Doença de Peyronie. O médico já realizou mais de 150 cirurgias com a matriz biológica para a correção da curvatura peniana.

Após três anos de estudo, os coordenadores do projeto também devem participar de um encontro de encerramento, para a apresentação dos resultados consolidados. A previsão é que essa reunião aconteça no mês de novembro, em Goiânia, durante a edição do Congresso Brasileiro de Urologia.

A história da Doença de Peyronie
Em 1743, o cirurgião francês François Gigot de La Peyronie relatou casos da doença que atualmente leva o seu nome. À época, ele indicava aos seus pacientes o uso de águas medicinais do Baiege SPA. A Doença de Peyronie é caracterizada pelo surgimento de placas fibrosas, que podem variar de um centímetro até todo comprimento da haste peniana. As placas provocam a curvatura excessiva do pênis quando ocorre a ereção, podendo atingir até 90 graus.

Os primeiros sintomas clínicos são: dificuldade da penetração em razão de deformidade ou diminuição da rigidez do pênis; ereções dolorosas e presença de placa ou nódulo no pênis. A principal localização da placa é na face dorsal, seguida pela ventral, depois lateral e na circunferência, nessa ordem de ocorrência. Em alguns graus, a doença também pode impossibilitar a relação sexual, provocando graves consequências psicológicas que são, aliás, fatores de extrema relevância na doença.

Desenvolvida predominantemente em pacientes com idade a partir dos 45 anos, também pode se manifestar em homens com idade inferior. Apesar de afetar cerca de 8% da população masculina adulta, a natureza da Doença de Peyronie ainda não está clara. Já se sabe, no entanto, que ela não está relacionada com degeneração maligna. As hipóteses mais aceitas pelos médicos estão relacionadas a fatores genéticos e por pequenos traumas durante a relação sexual.

Centros de pesquisa:
- São Paulo (SP) - Centro de Estudo e Pesquisa em Urologia do Hospital Ipiranga
Coordenador do projeto: Sidney Glina
- Niterói (RJ) – Hospital Universitário Antonio Pedro, da Universidade Federal Fluminense
Coordenador: Carlos Jardim

-Rio de Janeiro (RJ) - Hospital dos Servidores do Estado
Coordenador: Roberto Cerqueira Campos

- Ribeirão Preto (SP) – Centro Avançado em Urologia de Ribeirão Preto
Coordenador: Marcelo Baptistussi

- Rio Claro (SP) - Hospital São Rafael e no Instituto de Urologia e Nefrologia de Rio Claro
Coordenador: Geraldo Faria 

- Campinas (SP) - Universidade Estadual de Campinas – Unicamp
Coordenador: Adriano Fregonesi

- Belo Horizonte (MG) – Hospital Belvedere e "Clínica de Urologia e Andrologia Dr. Luiz Otavio Torres":
Coordenador: Luiz Otávio Torres

- Porto Alegre (RS) - Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre
Coordenador: Cláudio Telöken

 
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